Nossa filha teve a primeira menstruação aos 10 anos. Aqui está o que eu gostaria que a gente tivesse sabido antes.
Se você está lendo isso, provavelmente notou alguma coisa na sua filha que ainda não esperava. A gente esteve aí dois anos atrás, quando a nossa começou a dar sinais aos 8. Aqui está o que ajudou.
Se você está lendo isso, provavelmente notou alguma coisa na sua filha que ainda não esperava. Uma pequena mudança no corpo dela. Uma pergunta que você não estava preparado pra responder. Uma amiga sua comentando que a filha dela começou cedo. Talvez uma consulta no médico que deixou mais perguntas do que respostas.
A gente esteve aí dois anos atrás.
A nossa filha Sophia (apelido Sosô desde pequenininha) teve a primeira menstruação logo depois de completar 10 anos. Mas o caminho até aquele dia começou bem antes, quando ela tinha 8. De lá pra cá, a gente aprendeu muita coisa, principalmente porque precisou. Estamos compartilhando o que ajudou no caso de também ajudar você.
Isso aqui não é orientação médica. A gente são pais, não médicos. Se você tem alguma preocupação específica, converse com a pediatra da sua filha. Mas se você está procurando o tipo de contexto de pai pra pai e mãe pra mãe que não cabe numa consulta de 15 minutos, esse texto é pra você.
[Sugestão de imagem: foto calorosa de você e da Verônica, ou uma foto de estilo de vida de uma menina com um dos pais. Evitar fotos de banco de imagens com cara clínica.]
É mais comum do que a maioria dos pais imagina.
Quando a gente notou as primeiras mudanças no corpo da Sosô, aos 8 anos, ficou meio em pânico. Isso não era pra acontecer mais tarde? A gente estava deixando passar alguma coisa?
Levamos ela à médica esperando ouvir que a gente estava exagerando.
Não foi o que aconteceu.
A médica confirmou as mudanças. A primeira menstruação estava chegando, e ia acontecer mais cedo do que a maioria dos pais imagina. Mas ela também disse uma coisa que a gente queria que mais pais ouvissem cedo. Isso está cada vez mais comum. Meninas terem a primeira menstruação antes dos 11 ou 12 anos não é mais um caso isolado. Muitas famílias estão passando pela mesma coisa em silêncio, e a maioria delas se sente tão sozinha quanto a gente se sentiu.
Aquela conversa sozinha mudou os dois anos seguintes pra gente. Não era mais "alguma coisa está errada com a nossa filha." Era "a gente tem tempo pra preparar ela."
Meninas terem a primeira menstruação antes dos 11 ou 12 anos está cada vez mais comum. Não estávamos sozinhos.
O que a gente queria ter sabido aos 8.
Pra gente, os primeiros sinais eram pequenos e fáceis de não perceber se você não estivesse prestando atenção. Nenhum deles era dramático sozinho. Juntos, foram o que fez a gente procurar a médica.
Coisas que vale a pena ficar de olho, sem soar alarmista:
- Pequenas mudanças no formato e no ritmo de crescimento do corpo
- Oscilações de humor e sensibilidade emocional que parecem um pouco mais intensas do que o normal
- Mudanças na pele
- Pelos crescendo em lugares novos
- Comentários dela sobre o próprio corpo que sugerem que ela também está começando a notar
Se você notar várias dessas coisas juntas, vale uma consulta. A médica é quem pode dizer o que está acontecendo do ponto de vista médico. O seu papel é só notar e perguntar.
Os dois anos seguintes foram de muito dever de casa.
Depois que a gente soube que a primeira menstruação dela ia vir cedo, o trabalho começou ali. Passamos os dois anos seguintes preparando ela, principalmente lendo, perguntando e conversando com ela em doses pequenas.
Algumas coisas que funcionaram pra gente:
Conversas pequenas, não uma conversa grande. A gente nunca sentou ela pra ter "a conversa." Tivemos dezenas de conversas pequenas, cada uma de uns dez minutos ou menos, espalhadas pelo dia a dia. No carro, depois do jantar, antes de dormir. A ideia era fazer o assunto parecer com qualquer outro assunto sobre o corpo, não um evento pesado.
A gente seguiu o ritmo dela. Quando ela perguntava alguma coisa, a gente respondia com honestidade e no nível dela. Quando ela não perguntava, a gente não forçava. Empurrar informação demais pra uma criança que ainda não está pronta pra receber é um tipo de dano em si.
Saímos do enquadramento assustador. Palavras como "problema," "sinal de alerta" e "você tem que" foram cortadas. Trocamos por "isso faz parte de crescer," "seu corpo está fazendo o que precisa fazer" e "não é nada com que se preocupar." A mesma informação, com muito menos peso.
Deixamos ela ver que a gente estava de boa com isso. Crianças leem os pais muito bem. Se a sua filha sentir que você está em pânico, ela também vai entrar em pânico. A gente trabalhou pra estar tranquilo perto dela, mesmo nos dias em que estava resolvendo as próprias dúvidas nos bastidores.
Quando o dia chegou, não foi surpresa.
Ela tinha acabado de completar 10 anos. A gente estava na rotina normal. Ela contou, a gente disse "tá," providenciou o que ela precisava e seguiu a vida. Sem pânico. Sem conversa longa. Ela sabia o que estava acontecendo e a gente também.
Mas teve uma parte que a gente não tinha previsto.
Ela foi a primeira de todas as amigas dela. Nenhuma delas tinha passado por isso ainda, então ela não tinha ninguém da idade dela com quem pudesse conversar sobre. O ciclo, as cólicas, os sentimentos, as partes esquisitas. Ela não tinha companheiras nesse momento. Essa parte foi um pouco solitária.
Aí a gente entrou de cabeça como as pessoas com quem ela podia conversar. Tirar dúvidas. Reclamar quando tivesse vontade de reclamar. Se a sua filha for a primeira do grupo dela, essa é a parte que ninguém avisa antes. Seja a amiga que ela ainda não tem.
Ela foi a primeira de todas as amigas dela. Essa parte foi um pouco solitária.
Por que a maioria dos apps de menstruação não serve pra uma menina pequena.
Algumas semanas depois da primeira menstruação, a Sosô pediu um app pra gente. Ela faz balé desde pequena e está acostumada a prestar atenção no corpo, em como ele se sente, no que ele consegue fazer em cada dia. Então acompanhar o ciclo era um próximo passo natural pra ela.
A primeira coisa que tentamos foi o app que a Verônica usa. Mesma ideia, só que pra ela, né? Em poucos minutos a gente percebeu que era completamente inadequado pra uma criança de 10 anos. Acompanhamento de gravidez, registro de atividade sexual, conteúdo de relacionamento adulto. Não é coisa pra criança.
Então a gente continuou procurando. Encontramos um ou dois apps que diziam ser feitos para crianças. Quando abrimos pra usar, não eram. O mesmo conteúdo adulto, só com uma cara nova por cima.
Se você está procurando um app pra sua filha, aqui está o que vale a pena buscar de verdade:
- Nada de planejamento de gravidez, registro de atividade sexual ou conteúdo sobre relacionamento adulto
- Linguagem que explica o que é a menstruação, não só registra dados
- Tom calmo e adequado pra idade, não clínico e nem assustador
- Educação sobre os sintomas e o corpo, não só sobre o calendário
A maioria dos apps falha em pelo menos três desses pontos. Foi por isso que a gente acabou onde acabou.
Então a gente decidiu criar um.
Criamos o Sosô para a Sosô. É um app de menstruação para meninas, construído em torno de saúde e educação, e não de gravidez ou relacionamentos adultos. A personagem que guia tudo dentro do app tem o nome da nossa filha, porque tudo começou com ela.
Se a sua história tem semelhanças com a nossa e você quer um app que seja de verdade feito para uma menina pequena, você pode baixar o Sosô aqui.
[Sugestão de imagem: uma única captura de tela do Sosô, suave e nada apelativa.]
Se você está no começo dessa jornada.
Pra fechar, de pai e mãe pra pai e mãe.
Você provavelmente está mais sozinho nisso do que deveria estar. A maioria das suas amigas e amigos com filhas dessa idade ou ainda não passaram por isso ou não estão falando abertamente. Isso não significa que não esteja acontecendo com elas também. Geralmente está.
A sua filha está bem. Se a médica não está preocupada, você também não precisa estar. Menstruações precoces muitas vezes são só menstruações precoces. Não são um problema pra resolver. São uma fase pra atravessar junto.
As duas melhores coisas que você pode oferecer pra ela são calma e informação. Calma diz pra ela que isso é normal. Informação diz pra ela que ela tem as ferramentas pra lidar com tudo.
Você vai dar conta, como a gente deu. E como muitas outras famílias estão dando, e que você nunca vai saber que estavam passando pelo mesmo.